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sábado, 15 de agosto de 2009

Amor pela camisa



Hoje em dia não se tem mais amor á camisa...”

Esta frase se destacou aos meus ouvidos durante uma discursão entre dois senhores que, na cadeira ao lado, seguiam no mesmo ônibus que eu. E embora o seu interlocutor tenha concordado vigorosamente, e a maioria dos brasileiros também concordem, com toda a indignação que a idéia provoque em seus corações, para mim esta frase trás uma certa satisfação. Os jogadores, hoje em dia, correm atrás da bola não apenas por amor, mas principalmente motivados pelo dinheiro que o sucesso do seu bom desempenho lhes confere. O futebol é o ofício do jogador profissional. E nos grandes times o suor que molha suas camisas é muito bem lavado pelos rios de dinheiro que correm em suas carreiras. Por isso, trocar de time não é mais problema. Defender a seleção de outro país, muito menos.



Para mim, isto está mais do que certo. Sendo o futebol o ofício do jogador profissional ele tem mais é que corre muito e fazer gols para quem lhe pagar melhor, quer dizer, para quem pagar mais por ele. Mas é apenas isso, ofício, trabalho, negócios...nenhuma de suas passadas é dada para que isso melhore a qualidade de vida do seu torcedor, nem para aumentar o salário mínimo do cidadão ou diminuir a violência nos próprios estádios. Mesmo assim, a maioria dos brasileiros têm uma bola no lugar do coração, onde as batidas são substituidas pelos gritos de gooooool. Eles têm um enorme amor pela camisa do seu time! (bonito isso, não?) E cada grande jogador tem status de herói nacional, mesmo jogando lá fora, ganhando dinheiro lá fora e gastando também lá.

Infelizmente, se eu tivesse dado minha opinião naquele ônibus – que é contrária a maioria dos brasileiros fiéis, diga-se de passagem – teria apanhado até do cobrador! O futebol, pai-xão nacional, na verdade representa a ipocrisia do brasileiro, que muitas vezes deixa de comprar o feijão para comprar o ingresso para o jogo do seu time do coração; que congestiona o trânsito ao ir ao estádio, atrapalhando a volta pra casa do trabalhador que não pôde ir ao jogo; que briga com o torcedor do time adversário, defendendo a bandeira do seu amado time como se defendesse a bandeira do seu reino contra seu arquiinimigo. Quando o fiel torcedor tiver mais amor pela própria camisa suada do seu dia-a-dia e menos pela camisa do seu time, suada pelas carreiras do jogador que “não está nem ai” para sua miséria, o futebol representará o que realmente deve representar – um esporte, um jogo, uma diversão que deve servir para nos entreter em meio às diversidades.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

You Tube x TV - 1º Round

Há um tempo, muito se fala em convergência, ou seja, o fim das mídias como as conhecemos hoje. Muitos estudiosos defendem que haverá a fusão entre as mídias de massa com as pós-massivas. Outros defendem que não; que as tradicionais mídias de massa – TV, rádio, jornal (impresso) – continuaram existindo, assim como as novas mídias, cada uma cumprindo seu papel ou se completando. Outros são meio caóticos e afirmam que este é o fim das mídias tradicionais.

Essa profecia do fim das coisas já existe há tempos. Aconteceu assim com o telégrafo quando surgiu o telefone; profetizou-se também – quando surgiu o computador – o fim da maquina de escrever e essa ainda “assombra” os cenários atuais. Quando a televisão surgiu também se decretou o fim do rádio, depois apareceu o cinema ameaçando a televisão, e todos eles permaneceram. Mas, o que sabemos de verdade é que o ser humano não resiste aos “encantos” do avanço tecnológico, e, uma vez provado da “maçã, ninguém quer mais largar o fruto”. Existe de fato uma tendência, que talvez, seja irrefreável, em convergir tecnologias para gerar uma nova prática midiática. Mais que tendências, já existe aplicações que estão surtindo bons resultados. E a grande “heroína” desta estória é a nossa velha conhecida Internet. Ela permitiu ao homem “provar, não só da maçã, mas agrupar o sabor de vários frutos”, sendo a plataforma que permite o agrupamento de várias mídias. Estando no ciberespaço temos a possibilidade de ler textos, livros, e-books, ouvir música, rádios, podcast, assistir vídeos diversos, e o melhor de tudo, interagir com todas essas mensagens emitidas.

Nesta corrida evolutiva podemos observar os passos da televisão, que saiu do grande e pesado móvel no canto da sala, enquanto diminuía de tamanho e ganhava cores, passou para a estante, pulou para o rack, foi pendurada nas paredes disputando o lugar dos quadros e hoje é encontrada até em celulares. Muito ousada! Mas, de uns tempos pra cá, a programação televisiva teve que se adaptar, adequar-se a horários e gerar variedades para agradar e reter a atenção dos vários públicos que se formaram a partir da massa.

Durante essa corrida, mais ou menos quando a TV era pendurada na parede, foi criado o You Tube – um site de vídeos on-line que permite qualquer usuário assistir, enviar e compartilhar qualquer vídeo em formato digital, profissional ou caseiro. Mas a utilização do site não se limitou à cultura do “faça você mesmo” e muito material das TVs começou a ser lançado nele. O público da TV “provou desse fruto e gostou do seu sabor”. E para as grandes emissoras isso foi um “pecado mortal”. Mas hoje, depois de muitas intrigas, o site conta com canais que hospedam vídeos da programação das TVs, tanto de canal aberto como por assinatura. Desde 2008, o site anunciou que passaria a disponibilizar programas inteiros da cadeia norte-americana de televisões CBS. A RAI (TV estatal italiana) também tem o seu canal no site. E na estréia da versão brasileira, dos 40 vídeos mais acessados por internautas brasileiros, 30 foram sobre o conteúdo das TVs abertas do país. (Folha Online – 19/06/2007).

Estranho, mas, o internauta sentou em frente do computador para ver o mesmo conteúdo da televisão. Isso pode ser explicado pelo fato de que no You Tube, os vídeos estão disponíveis qualquer dia da semana a qualquer hora. Diferente da programação da TV aberta, que em sua maioria não tem reprises, nem possibilita que o telespectador assista no seu horário preferido. Canais por assinatura já suprem um pouco essa necessidade, a tecnologia do sinal digital também vem com essa promessa. Porém, acho que para o público o encanto está em ter “todos os frutos numa cesta só!” Facilidade, praticidade, comodidade, tudo que o ser humano gosta.

Tudo isso está acontecendo – exatamente estamos no meio do processo! E a velha TV, mesmo estando bem fininha na parede e também nos celulares, ainda é uma mídia de massa que permite pouca interação ao usuário. E sua programação ainda desce pela goela de muitos telespectadores, sem perguntar se querem um pouco d’água ou não. E o You Tube ainda é um site de vídeos que também disponibiliza a programação da TV.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Andar com fé não costuma faiá!

Ando meio pelo avesso ultimamente. Não vou mentir! Embora, ao me questionarem sobre como estou, ainda responda que estou ótimo, que estou beleza, ou jóia. Jóias de respostas, elas resolvem todas as especulações! E com isso, apenas eu mesmo deparo-me com meu avesso.

- muito prazer conhecer-me...meu avesso, se parece muito mais com o lado original do que ele mesmo sabia! Coisas de louco!(?) Mas, como de médico e louco todo mundo tem um pouco...deixo o estado psicológico, troco de profissão e afirmo:

- de publicitário e louco, com certeza, tenho um pouco!

O mais louco disso tudo é ver que todos viam o outro lado – aquele que chamo de avesso, quando ele ainda não se apresentava. Todos viam e dele me falavam com entusiasmo, apenas eu, na minha miopês (cegueira), ou burrice mesmo – é que não via.

Hoje, ao assistir o programa do Faustão, coisa que não faço com frequência, nem afinco – ouvi um comentário, quando apresentava-se o Andrea Bocelli:

- É engraçado ver o cego atravessar a rua...agente atravessa com um medo, e eles atravessam com uma facilidade!

Pensei eu: é porque eles tem mais confiança...e me veio outro pensamento, o de que somos todos cegos no nosso dia-a-dia, e não agimos como tal, na verdade não confiamos no nosso Guia, aquEle que está sempre nos segurando pelo braço e indicando o caminho. E por muitas vezes, inclusive agora, ao me deparar com uma bifurcação na estrada, não confiei que Deus poderia me guiar com segurança pelo caminho. Parece um absurdo afirmar isso, mas afirmo sem medo, pois, Ele já sabe! Ele também sabe que quero fazer diferente, e como diz o poeta, “andar com fé, não costuma faiá!” Os dois caminhos são tão atrativos, cada qual com suas vantagens...mas depois da primeira curva nada se vê! Lembro-me de outro pensamento poético, que diz que numa viajem, à noite, de vários quilômetros, só enxergamos alguns metros que os faróis do carro iluminam, no entanto, conseguimos realizar toda a viagem! Não precisamos ver o fim da estrada!

E eis que nesse dia ele se deparou com seu avesso, e viu que era bom...e confiando em si mesmo, mas principalmente em seu Guia, seguiu por seu caminho!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Intempéries desumanas.

Então vamos lá! Antes que eu perca o fio da meada, ou, o “nil da fiada”.

Começar um caminho é difícil, e mais difícil ainda é continuar nele, principalmente quando as intempéries lhe surgem. Desse jeito é que será a caminhada por este bloguezinho, por onde trilho sozinho, em passos tão tímidos. Mas tenho que deixar a semente germinar, então, água nela! Adubo e tudo que tenha direito...e coisa e tal!

Meu amigo Gonzaga – meu primeiro leitor – disse que o blog estava divertido. Isso é bom! Mas, como nem só de diversão vive o homem e os blogs, deixe-me falar de coisa séria!

Que a nossa bela capital, João Pessoa, tem um sério problema com o sistema de esgoto, (ou melhor, nós é que temos) todo mundo sabe. No entanto, vamos olhar um pouco pra Zona Sul; afinal de contas, quem é da Zona Sul também toma no... há há! pensaram que eu iria rimar a céu aberto? Não rimo, porque, para se entender o sentido da frase não precisa da combinação da rima. Vejam só:

Se eu utilizar a frase assim:
- quem é da zona sul, também toma na boca do bueiro! Ou ainda,
- quem é da zona sul, também toma na boca de lobo! terá o mesmo sentido, pois, das bocas de bueiros de Mangabeira, Bancários, saem a mesma matéria orgânica que sai daquela palavra substituída pelas reticências. Basta cair uma chuvinha...que nada(!), basta ameaçar a chover, que já esborra tudo! Ai é matéria fecal pra todo lado do asfalto. Pra quem segue de carro ainda há uma proteção, mas nós, pobres motoqueiros, se não tivermos cuidado, chegaremos no trabalho com um perfume não muito agradável. Taí uma das intempéries do meu caminho! Que no caso, é a chuva, pois o esgoto a céu aberto é safadeza mesmo, dos responsáveis pelo saneamento! Básica necessidade nossa!

Para quem não conhece essa realidade, convido a passar, numa manhã qualquer, em que tenha chovido um pouco – pela principal dos Bancários, e presenciar o belo espetáculo, obra da natureza desumana.

Pois é pessoal, da próxima vez que quiserem xingar alguém sem dizer palavrão, basta mandar tomar na boca do bueiro. Mas tem que ser dum bueiro da zona sul, senão não vale!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Finalmente Blog!

Eita cumpade véi! (Como diria o poeta Jessie Quirino!)

Adoro essa expressão, acho ela bem natural...naturalmente nordestina. E é com ela mesma que expresso a admiração de começar a escrever. A blogar. Muitas e muitas vezes quis começar, em várias noites especiais, boas e ruins, porém, começo hoje, numa bem comum e corriqueira, exceto pela presença de algumas entronas formigas voadoras, que passeiam no monitor iluminado do computador. Não sei o porquê, mas elas são atraídas pela luz. Com certeza tem uma explicação cientifica, deve ser algo genético, fisiológico, ou apenas seja um bando de formigas entediadas, querendo um pouco de aventura...fazendo a noite ser diferente. Afinal os animais fazem suas vidas mais interessantes, diferentes de nós, humanos-seres, incapazes de fazer diferente - uns falam, outros correm, outros se embriagam, outros, como eu escrevem besteiras nos blogs da vida virtual.