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sexta-feira, 19 de junho de 2009

You Tube x TV - 1º Round

Há um tempo, muito se fala em convergência, ou seja, o fim das mídias como as conhecemos hoje. Muitos estudiosos defendem que haverá a fusão entre as mídias de massa com as pós-massivas. Outros defendem que não; que as tradicionais mídias de massa – TV, rádio, jornal (impresso) – continuaram existindo, assim como as novas mídias, cada uma cumprindo seu papel ou se completando. Outros são meio caóticos e afirmam que este é o fim das mídias tradicionais.

Essa profecia do fim das coisas já existe há tempos. Aconteceu assim com o telégrafo quando surgiu o telefone; profetizou-se também – quando surgiu o computador – o fim da maquina de escrever e essa ainda “assombra” os cenários atuais. Quando a televisão surgiu também se decretou o fim do rádio, depois apareceu o cinema ameaçando a televisão, e todos eles permaneceram. Mas, o que sabemos de verdade é que o ser humano não resiste aos “encantos” do avanço tecnológico, e, uma vez provado da “maçã, ninguém quer mais largar o fruto”. Existe de fato uma tendência, que talvez, seja irrefreável, em convergir tecnologias para gerar uma nova prática midiática. Mais que tendências, já existe aplicações que estão surtindo bons resultados. E a grande “heroína” desta estória é a nossa velha conhecida Internet. Ela permitiu ao homem “provar, não só da maçã, mas agrupar o sabor de vários frutos”, sendo a plataforma que permite o agrupamento de várias mídias. Estando no ciberespaço temos a possibilidade de ler textos, livros, e-books, ouvir música, rádios, podcast, assistir vídeos diversos, e o melhor de tudo, interagir com todas essas mensagens emitidas.

Nesta corrida evolutiva podemos observar os passos da televisão, que saiu do grande e pesado móvel no canto da sala, enquanto diminuía de tamanho e ganhava cores, passou para a estante, pulou para o rack, foi pendurada nas paredes disputando o lugar dos quadros e hoje é encontrada até em celulares. Muito ousada! Mas, de uns tempos pra cá, a programação televisiva teve que se adaptar, adequar-se a horários e gerar variedades para agradar e reter a atenção dos vários públicos que se formaram a partir da massa.

Durante essa corrida, mais ou menos quando a TV era pendurada na parede, foi criado o You Tube – um site de vídeos on-line que permite qualquer usuário assistir, enviar e compartilhar qualquer vídeo em formato digital, profissional ou caseiro. Mas a utilização do site não se limitou à cultura do “faça você mesmo” e muito material das TVs começou a ser lançado nele. O público da TV “provou desse fruto e gostou do seu sabor”. E para as grandes emissoras isso foi um “pecado mortal”. Mas hoje, depois de muitas intrigas, o site conta com canais que hospedam vídeos da programação das TVs, tanto de canal aberto como por assinatura. Desde 2008, o site anunciou que passaria a disponibilizar programas inteiros da cadeia norte-americana de televisões CBS. A RAI (TV estatal italiana) também tem o seu canal no site. E na estréia da versão brasileira, dos 40 vídeos mais acessados por internautas brasileiros, 30 foram sobre o conteúdo das TVs abertas do país. (Folha Online – 19/06/2007).

Estranho, mas, o internauta sentou em frente do computador para ver o mesmo conteúdo da televisão. Isso pode ser explicado pelo fato de que no You Tube, os vídeos estão disponíveis qualquer dia da semana a qualquer hora. Diferente da programação da TV aberta, que em sua maioria não tem reprises, nem possibilita que o telespectador assista no seu horário preferido. Canais por assinatura já suprem um pouco essa necessidade, a tecnologia do sinal digital também vem com essa promessa. Porém, acho que para o público o encanto está em ter “todos os frutos numa cesta só!” Facilidade, praticidade, comodidade, tudo que o ser humano gosta.

Tudo isso está acontecendo – exatamente estamos no meio do processo! E a velha TV, mesmo estando bem fininha na parede e também nos celulares, ainda é uma mídia de massa que permite pouca interação ao usuário. E sua programação ainda desce pela goela de muitos telespectadores, sem perguntar se querem um pouco d’água ou não. E o You Tube ainda é um site de vídeos que também disponibiliza a programação da TV.